Atlético de Madrid x Juventus: o que eu senti (e vi) na primeira vez em que fui a um jogo de Liga dos Campeões

Já fui em diversos jogos e estádios de futebol. Campeonato Carioca, Brasileirão, Libertadores, Copa Sul-Americana, Olimpíadas e, até mesmo, Copa do Mundo. Minha lista de eventos futebolísticos não é pequena. Mas o que eu senti (e vi) na primeira vez que fui a um jogo de Liga dos Campeões é diferente de qualquer coisa que já presenciei. É uma atmosfera única. É como se você sentisse a presença dos deuses do futebol alí, venerando a nata da pelota redonda.

O que aconteceu no dia 20 de fevereiro, quarta-feira, sob a luz da lua da capital espanhola, é uma daquelas histórias que nem mesmo os melhores roteiristas de Hollywood seriam capazes de escrever. Os 68 mil torcedores rojiblancos que, na teoria, seriam testemunhas de um espetáculo dentro do gramado do Wanda Metropolitano viraram, das arquibancadas, protagonistas de uma noite mágica em Madrid.

Da garganta dos milhares de atleticanos presentes, saía o hino do clube. O canto pedia aos guerreiros de Diego Pablo Simeone para “lutarem como o melhor”. E, com a bola rolando, o que se viu foi que o recado que vinha das arquibancadas foi atendido. O técnico do Atlético de Madrid sabia que, se, tecnicamente, o esquadrão da Juventus despontava como favorito para o duelo das oitavas de finais da Champions League, seria preciso levar a energia da sua torcida para seus jogadores igualarem com muita disposição e disciplina tática dentro de campo. E Simeone fez isso como ninguém.

Aliás, não é exagero nenhum dizer que a vitória de 2 a 0 sobre a equipe de Cristiano Ronaldo não teria se tornado realidade se não fosse por uma contribuição latina generosa. A começar pelo treinador argentino. El Cholo, como é carinhosamente chamado no clube, é ídolo máximo da torcida. É fácil esbarrar com bonecos, miniaturas e camisas do técnico em qualquer ponto do entorno do estádio. E não é à toa. Ex-jogador do clube madrilenho, Simeone chegou para comandar os colchoneros em dezembro de 2011 e, de lá para cá, acumulou títulos nacionais e internacionais. Os pontos altos de sua trajetória foram em 2014 e 2016, anos em que levou sua equipe para disputar as finais da Liga dos Campeões, justamente contra o arquirrival Real Madrid, então liderado por Cristiano Ronaldo. Nos dois anos, saiu derrotado.

Simeone está há 12 jogos de eliminatórias sem perder em casa. São oito vitórias, quatro empates e apenas dois gols sofridos. (Foto: Site oficial do Atlético de Madrid)

Neste ano, mais uma vez, o atacante português cruzava seu caminho. Ele sabia que precisaria elevar sua equipe ao melhor nível de futebol se sua pretensão fosse avançar de fase na maior competição da Europa. Bem ao seu estilo, Simeone, no banco de reservas, lembrou os velhos tempos de jogador: energético e vibrante. Não parava um minuto sequer. Motivava sua equipe durante os noventa minutos. Mas dois de seus jogadores eram o foco da sua gritaria na beira do campo: Diego Godín e José Giménez, sua dupla de zaga. Eram eles que tinham a responsabilidade de parar o jogador eleito cinco vezes melhor do mundo pela FIFA e algoz do Atlético de Madrid nas duas decisões de Liga dos Campeões.

Ídolo do clube, Godín é um dos jogadores com maior número de aparições com a camisa colchonera (Foto: Site oficial do Atlético de Madrid)

E os dois zagueiros uruguaios não decepcionaram. Muito pelo contrário. Tiveram atuações que, até mesmo, Beckenbauer e Cannavaro, dois dos maiores defensores da história, se impressionariam. A dupla de zaga da seleção uruguaia não só conteve o ímpeto do ataque do clube italiano, capitaneado por CR7, como também marcou os gols que deixou a equipe espanhola com um pé nas quartas de finais da Liga dos Campeões. A atuação de Godín, inclusive, rendeu o prêmio de Melhor Jogador da Semana da Liga dos Campeões. O defensor uruguaio superou Thiago Alcántara (Bayern de Munique), Jason Denayer (Lyon) e Raheem Sterling (Manchester City). E, sejamos justos, de forma merecida.

A forma como Godín e Giménez impediram os avanços ofensivos da trinca de ataque italiana – Cristiano Ronaldo, Paulo Dybala e Mandzukic – foi tão impressionante que arrancou os gritos de “Uruguaios! Uruguaios! Uruguaios!” de sua torcida, música entoada pela torcida na época em que o uruguaio Forlán, ex-atacante  e um dos grandes goleadores da história recente do clube espanhol, atuava.

Jornal espanhol “Marca” destaca vitória do Atlético de Madrid sobre a Juventus.

Não foi à toa que a dupla de zaga que colocou o tão temido ataque da Velha Senhora no bolso também ganhou destaque do “Marca”, um dos mais renomados diários esportivos da Espanha. O título estampado na capa da edição do dia seguinte do jornal – “Que feras!” – me pareceu definir bem a satisfação da torcida dos donos da casa com o time (e principalmente com a sua dupla de defensores).

Mais incrível ainda foi a forma como Carlos Carpio (@Carpio_Marca), subdiretor do Marca, resumiu o duelo entre Atlético de Madrid e Juventus. “Na noite passada, se enfrentaram dois dos três times mais competitivos da Europa nos últimos anos, junto do Real Madrid. E ganhou o que tem o personagem que melhor compete sem necessidade de jogar. Diego Pablo Simeone, é claro.[…]Foi a melhor noite do Wanda Metropolitano até o momento”

“A melhor noite do Wanda Metropolitano até o momento”

Agora, a pergunta que não quer calar é: El Cholo conseguirá manter a escrita – de cinco jogos – de classificar o Atlético de Madrid em mata-matas que terminaram o primeiro jogo  com uma vitória de 2 a 0 para o seu time? Ou o Robozão vai, mais uma vez, acabar com os sonhos do treinador argentino? Nos resta aguardar as cenas dos próximos capítulos e ver o que o duelo de volta, que acontece na próxima terça-feira (12 de março), nos reserva. Uma coisa é certa: emoção não vai faltar.

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