Opinião: Federação Paulista acerta ao alterar regulamento do Paulistão para incentivar participação de pratas da casa

Neymar, Gabriel Jesus, Lucas, Jô, Willian, Robinho, Diego… A lista de craques revelados pelos clubes paulistas nas últimas décadas é extensa. Não é raro ver atletas com carreiras meteóricas no futebol. Jovens promissores saem do anonimato das categorias de base para, da noite para o dia, serem cobiçados por grandes clubes europeus. E, se depender da Federação Paulista de Futebol (FPF), o protagonismo dos garotos tende a ser ainda mais recorrente a partir do Campeonato Paulista deste ano: a Federação implementou mudanças no regulamento da competição que vão incentivar a participação dos pratas da casa nos jogos do Paulistão.

Funciona assim: os clubes poderão inscrever seus atletas em duas listas. A primeira pode ter até 26 nomes, com atletas das divisões da base ou não. A outra, que será chamada de Pratas da Casa, é ilimitada e pode ser composta por garotos formados na base do clube que tenham entre 16 e 21 anos. Entre os atletas inscritos, cinco podem estar, simultaneamente, dentro de campo. De acordo com Mauro Silva, ex-jogador e atual vice-presidente de Integração com Atletas da FPF, o regulamento (clique aqui e confira o regulamento na integra) prevê ainda uma premiação especial para os inscritos na segunda lista.

E a novidade no regulamento não é apenas um benefício para os garotos que estão em busca de espaço no time principal. Para a comissão técnica dos clubes (em especial para os de maior expressão), a possibilidade de usar jovens atletas em uma “Lista B” de inscritos pode ser uma alternativa interessante para promover um revezamento entre os titulares e, assim, poupar outros atletas para o longo e exaustivo calendário do futebol brasileiro. É inegável que a maratona de jogos é um dos fatores que contribui para a queda de desempenho das equipes brasileiros. Na temporada passada, por exemplo, os quatro grandes clubes paulistas endossaram a lista das 12 equipes que mais jogaram no país. O Corinthians foi prova viva do desgaste físico. Com 71 partidas disputadas no ano, o time do Parque São Jorge amargou alguns tropeços no segundo turno do Brasileirão. Tropeços que, em certos momentos, chegaram a colocar pulgas atrás das orelhas de seus torcedores sobre a conquista do heptacampeonato nacional.

Em tempos em que os sistemas de disputa de diversos campeonatos no Brasil são constantemente debatidos e repensados, a “sacada” da Federação Paulista de facilitar a participação dos pratas da casa no campeonato estadual precisa ser examinada (bem) de perto. Se for bem-sucedido, o novo modelo de inscrição pode – e deve – ser espelhado para outras regiões brasileiras. As mudanças são vantajosas para clubes e atletas. Ao mesmo tempo que diminuem o esgotamento físico dos times, são excelentes oportunidades para jovens talentos conseguirem espaço nos profissionais e, quem sabe, chamarem a atenção de olheiros do futebol nacional e internacional.

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