Opinião: a “pequenice” de Eurico Miranda em seu discurso de exaltação da campanha vascaína no Brasileirão

“Todos aqui achavam que o Vasco iria brigar para não ser rebaixado. A resposta está aí”. O comentário de Eurico Miranda, presidente do Vasco da Gama, sobre a atual situação do clube carioca na tabela do Campeonato Brasileiro seria visto com bons olhos se analisado em condições normais de temperatura e pressão. Seria entendido como um ato de liderança para dar uma injeção extra de ânimo e força ao elenco em busca de uma vaga na Libertadores da América. Mas as circunstâncias estão bem longe de serem normais. Há anos, o presidente vascaíno promete times competitivos e títulos, mas entrega equipes medíocres, que só acumulam fracassos. Usar a atual campanha cruzmaltina no Brasileirão, que é razoável, como propaganda de sua gestão é prova da “pequenice” de Eurico. O Vasco deveria jogar para muito além de uma vaga no G7 no campeonato nacional.

Os números não mentem. No primeiro ciclo como presidente do Vasco, de 2002 a 2008, Eurico conquistou um título estadual, em 2003, e, cinco anos mais tarde, participou – parcialmente – do primeiro rebaixamento da história do clube para a Série B do Campeonato Brasileiro, sacramentado na gestão de Roberto Dinamite, que ficou à frente do clube de 2008 a 2014. No segundo ciclo, de 2014 a 2017, a história não foi tão diferente do primeiro. Eurico levantou a taça de dois campeonatos cariocas (2015 e 2016) e amargou mais um rebaixamento, em 2015. Por incrível que pareça, o time mais notável do Vasco da Gama nas últimas temporadas foi o de 2011 e de 2012, que conquistou a Copa do Brasil e chegou às quartas de finais da Libertadores.

Em nove anos, a família Miranda comandou as rédeas do clube de São Januário, com muitas promessas e poucas glórias. Glórias que, além de frequentes, foram expressivas na história vascaína do fim dos anos 90 ao início dos anos 2000, época em que os holofotes da imprensa nacional e internacional iluminavam as arquibancadas do histórico estádio da Rua General Almério de Moura, na zona central do Rio de Janeiro. As taças do Campeonato Brasileiro, da Libertadores e da Mercosul assumiram espaço de destaque na sala de troféus do clube carioca.

Hoje, a realidade é outra. Nada de títulos. Nada de sucesso. Nada de alegria para os vascaínos. Sob a gestão de Eurico, o time de São Januário só ganhou os holofotes da imprensa pelas sucessivas confusões em períodos eleitorais, marcados pelas supostas “manobras” da família Miranda para renovar o tempo de sua dinastia no poder. Exemplo de exposição negativa na mídia foi a edição da última quinta-feira (09/11) do jornal português “O Jogo”. O veículo dedicou boa parte de sua edição para falar da desordem que tomou conta da votação presidencial no Club de Regatas Vasco da Gama, ou melhor, do “Confusão da Gama”, nome que o veículo usou para se referir ao clube carioca.

Jornal português "O Jogo" destaca confusão nas eleições vascaínas
Jornal português “O Jogo” destaca confusão nas eleições vascaínas (Crédito: Netvasco)

A eleição presidencial de 2017 foi marcada, assim como em anos anteriores, pela suspeita de votos irregulares em uma urna específica. Neste ano, a “urna da discórdia” é a urna 7. Se os votos dela forem validados, Eurico, da chapa “Reconstruindo o Vasco”, segue mais três anos no cargo mais alto do clube. Se não forem, Júlio Brant, candidato da “Quem é Vasco, é Sempre Vasco”, assume a presidência do time de São Januário. A decisão do impasse está nas mãos da juíza Maria Cecília Pinto Gonçalves, da 52ª Vara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Rio, que pediu, também na última quinta-feira (09/11), para a chapa de Eurico Miranda retificar, em até 48 horas, a ata da eleição, colocando que a urna 7 está “sob júdice”. A juíza também solicitou que o Vasco apresente os comprovantes de pagamento de todos os sócios irregulares e a lista dos sócios que votaram na “urna da discórdia”.

A possível classificação para Libertadores está longe de ser fruto do planejamento de Eurico. A eventual conquista da vaga no campeonato mais importante da América do Sul está diretamente associada ao trabalho implementado pelo atual técnico do Vasco da Gama, Zé Ricardo, que deu uma nova cara ao time, uma nova filosofia de jogo. Por acaso, deu certo. Podia não ter dado, assim como aconteceu com Cristovão Borges e Milton Mendes, técnicos que comandaram a nau vascaína em 2017. E nada, repito, nada, tem a ver com a liderança exercida por Eurico Miranda. “Planejamento” e “Eurico” não são palavras que coabitam na mesma frase.

Boa parte dos clubes que traçam um plano de trabalho, alcançam resultados concretos. E o Vasco, sob comando de Eurico, está longe de atingi-los. A imagem da instituição Vasco da Gama vem se confundido com a figura do presidente, que, pouco a pouco, mancha, com polêmicas, o nome do clube que um dia já foi (bem) falado por seu desempenho dentro de campo.

Leave a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *